Entrevista com o Presidente da Raditáxis do Porto: Agostinho Seixas.

No dia em que a Raditáxis do Porto celebra os seus 59 anos de existência, temos o privilégio de publicar uma entrevista com o seu actual presidente, Agostinho Seixas. A Raditáxis do Porto foi a primeira central a utilizar o sistema Taxi-Link, ficando para sempre ligada à génese da nossa empresa, numa parceria que já dura há quase 10 anos.

Vamos juntos.

A Raditáxis do Porto é “A Primeira Central de Táxis do País”. Pode falarmos um pouco sobre como nasceu a Raditáxis do Porto?

A RadiTáxis – Cooperativa dos Rádio-Táxis do Porto, C.R.L., alia o seu nascimento ao sistema de radiocomunicações desenvolvido por Guglielmo Marconi e a toda a rede de radiocomunicações portuguesa que teve um papel e um impacto incontornável no desenvolvimento, instalação e arranque do sistema de rede mundial de telecomunicações. 

A RadiTáxis do Porto orgulha-se de, no âmbito das Estações Radiotelefónicas Emissoras destinadas ao Serviço de Rádio-Táxis, ter sido pioneira em Portugal e na Península Ibérica e uma das cinco primeiras na Europa, tendo sido fundada por escritura pública no dia 15 de Janeiro de 1960, no 3º Cartório Notarial do Porto, publicada em Diário da República a 28 de Janeiro de 1960. O início de actividade ocorreu no dia 25 de Novembro de 1960, honrando já um legado de 59 anos de existência e bem servir. 

A RadiTáxis do Porto tem actualmente 415 Cooperantes, e conta com uma história de inovação e sucesso no mundo cooperativo. O seu pioneirismo rapidamente marcou posição de liderança, afirmando-se como uma das mais activas e inovadoras Centrais de Rádio Táxis.

Somos actualmente a maior frota de Táxis da Cidade do Porto, e detemos parcerias privilegiadas com um elevado número de outras Centrais de Rádio-Táxis, o que nos permite responder rápida e eficazmente a uma qualquer necessidade de transporte com total abrangência nacional.

Na sede da Raditáxis do Porto são visíveis fotografias e placas comemorativas dos diversos aniversários da mais antiga central de táxis do país, oferecidos pelas suas congéneres de outros concelhos.

A Raditáxis do Porto foi também a primeira central em Portugal a prestar serviço de atendimento para outras centrais. O que pode dizer-nos sobre essa experiência pioneira?

O serviço de atendimento telefónico é o cartão de visita de uma qualquer instituição. Deste modo, é – indubitavelmente – um importante diferencial no relacionamento com o Cliente final. Numa Central Rádio-Táxis esse serviço deve ser encarado como a principal ferramenta de trabalho, requerendo a sua utilização, um elevado sentido de responsabilidade e profissionalismo. 

A realidade da Mobilidade Urbana – em constante mutação – caracteriza-se pela constante procura de flexibilidade, dinamismo e inovação. A resposta eficiente a este tipo de demanda, exige pesadas estruturas organizacionais, que se traduzem em elevados custos fixos permanentes. A RádiTáxis do Porto enquanto pioneira e a segunda maior Central do País, sempre se sentiu obrigada a desenvolver projectos que garantam a centrais de menor dimensão, usufruir transversalmente destas vantagens competitivas.

A partilha deste tipo de serviço a outras Centrais Rádio-Táxis tem-nos permitido inovação constante, elevados níveis de segurança, e uma melhoria da qualidade de serviço e da satisfação do Cliente Final. 

Somos da opinião que a homogeneidade destes padrões de qualidade, aliados à segurança, representam já uma enorme vantagem competitiva para a marca Táxi em Portugal. 

Um dos modernos postos de operador do call-center da Raditáxis do Porto, onde são igualmente atendidas outras centrais de táxi.

Há cerca de um ano entrou em vigor a legislação que regula o transporte em veículos descaracterizados ligados a plataformas electrónicas, o TVDE. Como vê esta concorrência e de que forma tem afectado a actividade dos vossos associados?

A questão da regulação do TVDE deve ser analisada num espectro mais alargado do que somente o transporte.  Deve ser analisado o modelo de sociedade e tipo de relação laboral que este tipo de regulação está a permitir. 

Embora subsistam em mim grandes dúvidas, quero acreditar que a regulação do TVDE surge como uma necessidade de dar resposta ao problema estrutural com que se debate a sociedade do século XXI, no que concerne à mobilidade urbana. E se assim foi, parece-me que a regulação do TVDE foi a resposta mais fácil e a menos consciente. 

A concorrência – se é que é digna desse nome – afectou directamente a actividade dos nossos Cooperantes, de uma maneira muito desleal. As regras de licenciamento e regulação desta actividade são manifestamente insuficientes no que concerne a segurança dos passageiros. A massificação destes veículos criou um aumento brutal do congestionamento nas infra-estruturas das zonas metropolitanas, que só por si, já não conseguiam dar resposta aos aumentos abruptos da procura nas denominadas “horas de ponta”. Esta realidade acarreta enormes problemas económicos, elevados custos de sinistralidade e principalmente de saúde publica, devido aos níveis de ruído e poluição atmosférica.  

Da parte do poder central exigia-se uma resposta mais informada e coerente para com as necessidades de mobilidade, que obrigatoriamente, deveriam passar pelo desenho de soluções eficientes ao nível do transporte público, e sua incitação. Perdeu-se uma excelente oportunidade de obtenção de ganhos económicos, de eficiência, mas principalmente ganhos ao nível dos impactos ambientais.

A RadiTáxis do Porto tudo fará para que o Táxi, enquanto Transporte Público, patenteie a excelência no futuro da Mobilidade dos Cidadãos na área metropolitana do Porto.

Desde que há registo informático dos serviços despachados pela Raditáxis (a partir de Agosto de 2011), foi o passado mês de Outubro de 2019 o melhor mês de sempre da vossa Cooperativa. Como explica isto, mesmo apesar do novo contexto de concorrência que existe desde há um ano?

Todos os espectros da sociedade civil, têm vindo paulatinamente a percepcionar valor recorrente do trabalho sério e criterioso que a marca Táxi tem vindo a desenvolver nos últimos tempos. A partir de 2018, a RadiTáxis do Porto adoptou um modelo de gestão assente nas boas práticas reiteradas e na melhoria contínua dos seus processos. Esta simbiose, tem permitido à RadiTáxis do Porto granjear vantagens competitivas face aos seus concorrentes directos e indirectos. Objectivamente apenas podemos afirmar que os excelentes resultados se têm traduzido numa significativa capacidade de atracção de novos utilizadores de Táxi.

Na base deste sucesso reside o desafio basilar – permanente – que é: compreendermos que nesta Era Digital as opções de transporte são imensas, e a escolha do Cliente informado recairá – sempre – sobre aquela que mais se adequa à sua pretensão. A geração de valor acrescentado é a única forma de garantirmos o Cliente fidelizado, seja pela capacidade de customização, seja pela excelência da globalidade do serviço prestado.

A economia global e digital já não permite a criação de barreiras à entrada de concorrência, o único bloqueio possível é a constante inovação na criação de novas soluções e a incessante superação das melhores expectativas dos nossos Clientes.

O sector do Táxi está a viver uma plena revolução. Nunca como agora, nos foi exigido tanta esforço e resiliência. No universo RadiTáxis lutamos pela gloriosa vitória.

A evolução dos serviços realizados pela Raditáxis do Porto, desde o início da parceria com o sistema Taxi-Link, tendo atingido no passado mês de outubro de 2019 o melhor resultado de sempre.

Fala-se que o paradigma de ter viatura própria está a ficar ultrapassado, levando a um crescimento significativo do tipo de transporte praticado pelo táxi. Está a Raditáxis do Porto preparada para esta revolução que se avizinha?

Na RadiTáxis do Porto estamos conscientes que as novas gerações de consumidores, que serão os donos das novas economias, são sensíveis e disruptivos face a padrões instalados. Essa realidade está a migrar os fundamentos da própria economia, da propriedade para o acesso. Os Millennials têm uma elevada consciência relativamente à sustentabilidade ambiental e a descarbonização das cidades será um tema impreterível durante as próximas décadas.

Daqui resultante, a mudança de paradigma face à viatura própria, deve ser analisada numa lógica mais lata, a do hipotético “encerramento” das grandes cidades ao veículo particular. As alterações climáticas acarretam pesados fardos económicos, obrigando todos ao esforço da descarbonização.

Estamos certos de que existirá uma enorme mudança dos padrões de mobilidade urbana, ficando o Táxi com uma responsabilidade acrescida.  É esse tipo de reflexão que nos tem obrigado a delinear estratégias de resposta a este novos estímulos e desafios sobre o futuro da Mobilidade Urbana. Importa salvaguardar que, quando nos referimos ao Táxi, referimo-nos a um dos instrumentos estruturais na passagem do transporte unimodal para o multimodal.

Deste modo, urge que as centrais de Rádio-Táxis continuem na senda do permanente desenvolvimento, de modo a assegurarem a desejada vantagem competitiva e/ou atratividade sobre os seus serviços. Para tal é extremamente importante continuar-se a investir na formação de melhores profissionais, na contínua modernização da frota, no incessante investimento em tecnologia, e numa flexibilização na criação de novas alternativas de transporte. O futuro da mobilidade passa pelo recurso aos transportes públicos, obrigando o Táxi a estabelecer parcerias estratégias que permitam ganhos de produtividade e assegurem resposta assertiva aos desafios futuros.

Na RadiTáxis do Porto estamos focados em consolidar o atual modelo de gestão, o qual tem como pilares o conhecimento profundo do mercado e a perceção de novas oportunidades. Estamos numa fase de mudança que nos permitirá um crescimento sustentado. A dificuldade suplementar é perceber como vamos criar novo valor acrescentado.


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